
Quem foi S. Jorge?
Nada nos diz da vida o Breviário e temos de recorrer à história eclesiástica e aos hagiólogos.
Eusébio fala dele mencionando-o como fazendo parte de um grupo que arrancou das paredes o édito do imperador contra os cristãos. Uma inscrição grega de 346 na Síria menciona-o como um mártir. Há vestígios do seu culto no 4º e 5º séculos. Em Roma existe a pequena igreja de S. Jorge que remonta ao 6º século; e dentro dela num precioso relicário está a cabeça do santo. E este culto que tão de pressa se espalhou na Síria, na Palestina, em Constantinopla e na Itália não demorou muito atingir as últimas terras do Ocidente. São Germano, bispo francês trouxe da Palestina um dos seus braços e espalhou o seu culto na França. Daqui passou à Inglaterra que o tomou como seu padroeiro e como patrono também da ordem da jarreteira. Em Portugal também é antigo o seu culto como prova ser escolhido para patrono desta e doutras freguesias. Mas foi com a vinda dos ingleses em auxílio de Portugal que este culto aumentou. Nas guerras contra Castela o pendão de S. Jorge guiou os portugueses aos combates e em agradecimento pela vitória de Aljubarrota D. Nuno mandou construir a capela de S. Jorge no próprio campo de batalha.
O rei D. João I deu ao castelo de Lisboa o nome deste santo. O rei D. José mandou que a sua imagem a cavalo acompanhasse a procissão do Corpo de Deus.
O título de S. Jorge foi dado a várias paróquias de Portugal, a várias ilhas que os antigos descobriram e ocuparam e a uma benfeitoria da Costa de Africa. Muitos reis e príncipes tiveram este nome. Foi ele o patrono de várias ordens militares e religiosas. É ele também o segundo patrono de Portugal.
Em quase toda a parte a sua imagem aparece na figura dum oficial armado de lança e escudo. Em estampas e fachadas de igrejas apresentam-no a cavalo na atitude de derrubar um dragão. O povo toma a sério esta lenda, mas o combate representa simplesmente a luta cristã, sempre ajudada por Deus contra o dragão infernal: "Georgi, nolite timere; ecce ego tecum sum! "
Tal é o culto nosso padroeiro. E que fez ele para o merecer?
Nas hagiologias há muitas lendas e fantasias; e talvez por isso é que a Igreja omitiu no breviário a sua biografia. E de seguro há isto: Nasceu na Capadócia, segundo uns, na Palestina, segundo outros. Na sua mocidade alistou-se no serviço militar e foi subindo em postos até chegar a capitão dos guardas do imperador. Tinha pouco mais de vinte anos e era fervoroso cristão. Pouco depois praticou ele verdadeiros actos de coragem. O imperador mandou reunir o conselho imperial para o consultar a respeito da perseguição aos cristãos. Jorge que pertencia a esse conselho, compareceu; e quando chegou a sua vez de falar fez a mais vigorosa defesa dos cristãos e a mais severa condenação dos ídolos. Esta atitude, é claro, acarretou-lhe a morte e foi martirizado e morto no ano 290 ou 303 no dia 23 de Abril. Tal é o herói que é representado na nossa iqreja como seu titular. A qrafia do seu nome varia alguma a coisa nos documentos do arquivo paroquial. Assim tem aparecido: Jorge, Jorgio, Georqio, Gorge, Jôrge, Georgiy.."
As hagiologias apresentam mais dois santos com este nome.
As freguesias que têm este titular em Portuqal são
1 - Selho Guimarães
2 - Airô - Barcelos
3 - Paradança - Mondim de Basto
4 - Abadim - Cabeceiras de Basto
5 - Várzea - Fe1gueiras
6 - Vize1a -Felgueiras
7 - Gouvães da Serra – Vila Pouca
8 - Cebola - Covi1hã
9 - S. Jorge - Arcos
10- Arroios - Lisboa
11- Vila Verde de Fica1ho - Serpa
12- Sarilhos – Aldeia Galega
13- S. Jorge - Santa Ana - Funchal
14- Velas - Angra
15- Doze Ribeiras - Angra
16 – Doze Ribeiras – Ilha de S. Jorge - Açores
17- Na África Ocidental encontrámos a fortaleza de S. Jorge da Mina.
É titular de algumas igrejas em Roma, Nápoles, etc.
Além da Inglaterra tomaram-no com patrono Aragão, Génova e a Rússia.
1 comentário:
Que tudo corra como os Caldenses desejam.
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